Vereadora Carol Dartora (PT) fala que Curitiba é racista, que é uma cidade estruturalmente racista.

Mas vereador Eder Borges não deixou passar batido e fala:

Eu não posso deixar passar em branco chamar a minha cidade de racista, isso não é justo, isso não é correto. Racismo é crime e eu não posso aceitar que chame a minha cidade de racista, a nossa cidade de racista, que chame a nossa população, que chame os curitibanos de criminosos. Vereadora isto não está certo, me perdoe mas isto não está certo. Vossa excelência foi eleita, e muito bem eleita diga-se de passagem, como pode chamar uma cidade de racista, que te elegeu que te acolheu desta forma, que te deu tantos votos, que paga o seu salário o meu salário. Curitiba não é racista, não é mesmo! Curitiba é uma cidade acolhedora, uma cidade maravilhosa que não é criminosa. Eu não posso deixar de falar do preconceito que é disseminado pela extrema esquerda, um preconceito que eu acompanho aqui contra pastores contra igrejas, contra nobres voluntários que dedicam a vida a ajudar aos necessitados. Agora vai ver o que vosso ídolo Che Guevara falava dos negros pra ver quem é racista. Curitiba tem lugar pra todos, o Brasil tem lugar pra todos. O Brasil é uma miscelânea de todos os povos, não tem como sermos racistas, nós não estamos lá em regiões dos Estados Unidos, ou como já foi a África do sul, não se aplica esta realidade aqui. Eu peço por favor que deixemos de disseminar esses ódio, essas mágoas, que superemos os erros do passado cometidos pela humanidade, os curitibanos de hoje não tem culpa que lá atrás os portugueses escravizaram africanos enfim….bola pra frente vamos limpar nosso coração. Acalmar vossos corações e deixemos por favor de disseminar tanto preconceito tanta mágoa tanto mimimi. Muito obrigado senhor presidente.

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Uma militância que há muito perdeu a mão em seu exagero e cria os preconceitos e a divisão que dizem combater

Outro exemplo foi o programa ‘BBB 21’ que escancarou a agressividade e preconceito da militância de esquerda, foi nítida a intenção da produção do programa tentando mostrar que Brasil é racista e machista, mas, na casa, o que ocorreu nos 100 dias de confinamento e ficou notório é que são os supostos oprimidos quem humilharam pessoas em nome de uma vaidade travestida de indignação.

Há tempos o “Big Brother Brasil” se transformou uma plataforma de entretenimento político. Nada contra. Uma disputa por dinheiro, fama e projeção entre pessoas representativas da sociedade deve representar seu tempo. E o tempo é de polarização política, sobretudo de polarização política cultural. Vivemos numa guerra cultural. E o “BBB” tem lado nesta guerra. A produção do programa é formada de militantes progressistas de esquerda que, ao lado da audiência, quer encampar uma narrativa de preconceito contra mulheres, negros, gays etc. Também quer projetar uma ideologia. A questão é que, desde 2019, o programa traz para seu elenco militantes identitários. Eles são oriundos do movimento negro, feminismo e partidos de esquerda. Nenhum conservador esclarecido. Zero. Do outro lado do elenco, brucutus e barbies semialfabetizados que personificariam um pseuconservadorismo. Ainda assim, os brucutus e as barbies sempre ganham mais atenção do que os militantes. Por quê? Porque a militância tem se mostrado sistematicamente agressiva, chata e histérica. Cria preconceito onde não existe, impõe autoritariamente um padrão de comportamento e linguagem goela abaixo de outras pessoas. Uma militância que se coloca como um grupo de vítimas preferenciais em nome de um combate a um preconceito sempre inexistente na casa. É o retrato fiel da militância identitária brasileira. E mundial!

Neste “BBB 21” que foi transmitido, vimos pessoas dizerem abertamente que o “homem branco heterossexual” que se identifica com seu gênero sexual é o mal do mundo, uma ameaça às pessoas. Vimos um rapaz negro que levou um fora comparar a negativa da mulher branca ao Terceiro Reich. Vimos uma militante negra reclamar que a perda de suas estalecas (dinheiro no programa) era sintoma da mulher fenotipicamente branca que sempre leva vantagem. Vimos uma militante negra segregando e debochando de traços físicos de pessoas brancas. Vimos uma mulher negra humilhando, massacrando e expulsando um outro rapaz da mesa, (Karol Conká Curitibana, diga-se de passagem), e toda a plateia branca em redor se calar diante de tal monstruosidade por medo de ser considerada racista ao confrontá-la. Nada mais representativo do que a histeria identitária provocada por esta nova esquerda mundial, que separa pessoas entre vítimas preferenciais — negros, mulheres, gays e transexuais — e o homem branco heterossexual, o “grande mal do mundo”.
O identitarismo patológico não enxerga uma pessoa com virtudes e defeitos, mas coletivos que são julgados por sua etnia, sexualidade e gênero. Não tem como isto não reverberar em ódio, divisão e ressentimento. E o “BBB”, tentando mostrar um país em que homens brancos heterossexuais são opressores preferenciais, exibiu o avesso do seu objetivo: uma militância monstruosa, que se coloca no lugar de vítima para poder massacrar outras pessoas sem sofrer retaliação.

Neste sentido, o “Big Brother” prestou um serviço de educação, mostrando exatamente o cenário contrário do que a produção gostaria: o Brasil não é um país racista ou machista. O racismo, por exemplo, existe episodicamente, circunstancialmente. Em que pese haver, sim, racismo episódico e uma pirâmide social em que, sim, a cor negra é a base excluída, sobretudo por causa do período pós-escravidão, em que negros foram abandonados numa liberdade sem nenhuma garantia de trabalho, o Brasil é o país menos racista do mundo porque é o país mais miscigenado do mundo. Aqui a democracia racial prosperou. Sim, ainda existe racismo por cor da pele por aqui. Discriminação por cor da pele. Mas é raro. Existem homicidas e estupradores no Brasil. Mas é diferente de dizer que o Brasil é um país homicida ou um país de estupradores. Assim como é mentira dizer que é um país racista.

O fato de existir racismo episódico não justifica criar uma atmosfera de perseguição a quem não comunga deste identitarismo sectário da esquerda, tão bem representado pelo elenco do “BBB 21”. Ter sofrido injustiça não justifica culpar toda uma coletividade pelo mal que sofreu. Todas as pessoas sofrem de algum mal. Por isso, uma ínfima minoria se transforma em gente má ou ativista ressentida para defender um falso bem, perseguindo, massacrando, humilhando e cancelando pessoas em nome de seu próprio narcisismo. Karol Conká e Lumena fazeram exatamente isso. E devem fazer isso na vida também, por óbvio. A maioria das pessoas que sofrem discriminação segue em frente tentando exercer o bem, apesar dos males que sofreu. O identitarismo brasileiro de bolhas progressistas transforma qualquer gesto de injustiça sofrida na vida em vingança contra toda uma coletividade: os homens, os brancos, os heterossexuais etc. No “BBB”, por exemplo, nunca houve uma única manifestação de racismo contra negros. Nenhuma. Houve uma forçação de barra querendo imputar a uma menina a acusação de racismo, quando ela dizia coisas como ter medo de macumba ou “humor negro’”. Não colou. Nesta 21ª edição, vemos uma militante, Lumena, sistematicamente discriminar pessoas brancas por sua palidez, características físicas e fenótipo branco. É a primeira manifestação de racismo claro e objetivo na história do “Big Brother”: uma mulher negra que discrimina pessoas brancas. Reivindicando o preconceito sofrido para justificar o seu preconceito.

Os militantes identitários, que vão da chatice à agressão verbal, não são uma minoria. São a exata maioria de uma militância que há muito perdeu a mão em seu exagero e cria os preconceitos e a divisão que dizem combater. O “Big Brother”, por caminhos tortos, mostrou isto explicitamente nesta edição. Os militantes que massacram e perseguem pessoas são os mesmos carrascos modernos que cancelam e lincham nas redes por uma palavra, um gesto, um desvio mínimo do discurso ditatorial do pseudoprogressismo. Eles não são exceções, são a regra do identitarismo moderno. O principal vício da esquerda identitária mostrada no “BBB 21” é a intolerância: um erro ou uma impressão de um erro torna-se razão para um massacre, um linchamento brutal promovido por militantes que se alimentam de sangue, em nome de falsa justiça, para coroar a egolatria vitimista deles. E um único ato de alguém que se rebela contra este verdadeiro “fascismo do bem” pode ser logo massacrado por toda uma sociedade, guiada por uma mídia e uma intelectualidade que deturpa as circunstâncias e fatos em nome de uma ideologia progressista e identitária. Na televisão, as pessoas veem o que acontece. Não há muita chance de deturpação.

É muito simples e elementar o erro brutal do identitarismo tão bem mostrado pelo “BBB 21”: se achar superior — ainda que uma vítima histórica superior — por raça, gênero ou opção sexual é estúpido, assim como é estúpido condenar toda uma coletividade como preconceituosa por raça, gênero e opção sexual. O preconceito e estupidez nascem de toda e qualquer divisão de pessoas por raça, sexo ou opção sexual. O programa mostra que a militância identitária gera, sim, racismo reverso, guetos, segregação. Incita os preconceitos que diz combater, persegue pessoas por estilo, voz, local de nascimento, linguagem etc . O “Big Brother” mostrou que a militância identitária é um monstro de hipocrisia. Oxalá toda a produção do programa, assim como todo o Brasil, entendam e sejam educados por esta 21ª edição e aprendam que toda política identitária causa divisão E que toda política humanitária gera comunhão. Que aprendam que o cancelador que se mostra como vítima preferencial é o carrasco moderno, que usa de falsa justiça para massacrar os outros em nome da vaidade ressentida do próprio ódio travestido de indignação. O cancelador escarra nos olhos alheios enquanto lambe a cegueira remelenta de seu ódio. Que aprendam que militância identitária divide. A militância humanitária une. Todos sofrem preconceitos e discriminações. Uns mais, outros menos. Dividir indivíduos em classes oprimidas e opressoras é esmagar o indivíduo em nome de falsa justiça de uns que se proclamam vítimas preferenciais.

Por Adrilles Jorge 13/02/2021 via site Jovem Pan.

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