A Assembleia Legislativa aprovou na sessão desta segunda-feira (17), por unanimidade, projeto de lei apresentado pelo deputado Anibelli Neto (MDB), que institui o Dia Estadual da Saúde Única.
Ao defender sua proposta, o deputado, que médico veterinário e presidente da Comissão da Agricultura da Assembleia, destacou que o Dia da Saúde Única é uma oportunidade de se trazer a atenção para a necessidade crucial e para os benefícios de se adotar abordagens interdisciplinares nos desafios complexos envolvendo animais, pessoas e ecossistemas.
Segundo ele, estima-se que quase 75% de todas as doenças infecciosas emergentes que afetam os humanos nas últimas três décadas tiveram origem em animais.
“Saúde Única é uma abordagem que considera como humanos e animais interagem ecologicamente em um ambiente, onde qualquer alteração nestas relações provocará desequilíbrios e, consequentemente, a propagação de doenças”, afirmou.
Humanos e animais – A relação entre doenças que afetam humanos e animais, destaca o deputado, é estudada desde o século 19, mas foi apenas na década de 1960 que Calvin W. Schwabe, conhecido como “pai de epidemiologia veterinária”, criou o termo “medicina única”, que mais tarde daria origem ao conceito de Saúde Única.
O deputado Anibelli Neto historiou que o conceito de Saúde Única surgiu para traduzir a união indissociável entre a Saúde animal, humana e ambiental. Essa abordagem interdisciplinar, disse, integra profissionais de diversas áreas da saúde, incluindo a Medicina Veterinária que, ao abraçar e ligar os três aspectos dessa cadeia, revela-se uma das profissões mais completas do mundo.
O deputado destaca que essa atividade foi criada com o dever de prevenir e curar doenças dos animais, mas sempre tendo como objetivo o homem e o serviço maior à humanidade.
Esse conceito ganha cada vez mais espaço nas discussões da saúde pública, aproximando os campos da medicina humana, medicina veterinária e as diversas áreas do conhecimento responsáveis por questões que envolvem o meio ambiente.
Saúde global – O objetivo final, segundo Anibelli Neto, é a conquista de uma saúde global que proteja a raça humana, os animais e o planeta. “O médico veterinário está presente, por exemplo, nas várias etapas da produção do alimento de origem animal, desde o manejo do pasto até a prevenção de doenças transmissíveis ao ser humano e na garantia da qualidade do produto final que chega à mesa do consumidor, evitando contaminações e protegendo a saúde da população”, destacou.
História – O deputado destacou ainda que como uma forma de conscientizar a população da importância da defesa da saúde humana, animal e ambiental, desde 2016, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná – CRMV – promove o Dia da Saúde Única.
A data escolhida pela One Health Commission (Comissão de Saúde Única) do Conselho para celebrar o tema foi 3 de novembro, dia em que instituições de todo o mundo se organizam e oferecem eventos voltados para a população e para profissionais de diversas áreas da saúde e da ciência.
A intenção da iniciativa é unir tantos indivíduos quanto possível das mais diversas áreas em eventos de conscientização e educação, inspirando novos projetos em todo o globo.
O Dia da Saúde Única procura, ainda, incentivar a determinação política necessária para promover uma mudança na abordagem dos problemas de saúde do mundo. “O Dia da Saúde única vai chamar a atenção para a necessidade de ações integradas de Saúde Única e permitir que o mundo as veja em ação”, descreve o portal da Comissão de Saúde Única.
Anibelli Neto lembra que este projeto foi apresentado em 2019, mas com o surgimento da pandemia do novo Coronavírus a importância do cuidado na relação entre humanos e animais ficou ainda mais em voga, ficando clara a necessidade dos cuidados com a saúde única para evitar a disseminação de doenças.


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