Em áudio divulgado pelo portal ‘UOL’, ex-cunhada do presidente Jair Bolsonaro afirma que chefe do Executivo federal demitiu seu irmão porque ele se recusou a entregar a maior parte de seu salário ao então deputado federal.

O senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) afirmou, nesta segunda-feira, 5, que as gravações nas quais Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente Jair Bolsonaro, afirma que o chefe do Executivo federal demitiu seu irmão, André Siqueira Valle, porque ele se recusou a entregar a maior parte de seu salário ao então deputado federal é “mais um ingrediente na narrativa que tentam armar contra a família Bolsonaro”. Nos áudios, revelados pelo portal UOL, Andrea também diz a um interlocutor que Fabricio Queiroz, ex-assessor do parlamentar e denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) no esquema de “rachadinha” no gabinete do então deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), não era o único que recolhia os salários dos funcionários do atual senador. A maior parte de seus vencimentos, afirma, era recolhido pelo coronel da reserva do Exército Guilherme dos Santos Hudson.

Segundo reportagem do UOL, o esquema da rachadinha também era feita por Jair Bolsonaro no período em que ele foi deputado federal, de 1991 a 2018. “O André dava muito problema, porque nunca devolveu o dinheiro certo que tinha que ser devolvido, entendeu? Tinha que devolver 6 mil reais, o André devolvia 2 mil, 3 mil. Foi um tempão assim. Até que o Jair pegou e falou: ‘Chega, pode tirar ele porque ele nunca me devolve o dinheiro certo’”, diz Andrea em uma das gravações obtidas pelo portal. André e Andrea são irmãos da ex-mulher de Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle, mãe do filho mais novo do presidente, Jair Renan. Andrea foi assessora do então deputado federal Jair Bolsonaro entre 1998 e 2006. Depois disso, ficou lotada no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro entre 2006 e 2008 e de Flávio, então na Alerj, entre 2008 e 2018. Seu irmão, André, trabalho no gabinete de Jair Bolsonaro entre novembro de 2006 e outubro de 2007.

Em outro trecho da gravação, Andrea Siqueira Valle afirma que sabe de muita coisa que pode “ferrar a vida do Flávio, do Jair, da Cristina”. “É por isso que eles têm medo e manda eu ficar quietinha”, explica. “Gravações clandestinas, feitas sem autorização da Justiça e nas quais é impossível identificar os interlocutores não é um expediente compatível com democracias saudáveis. A defesa, portanto, fica impedida de comentar o conteúdo desse suposto áudio apresentado pela reportagem. Sobre Andrea Siqueira Valle, a defesa afirma que ela trabalhou na Alerj e cumpria sua jornada dentro das regras definidas pela assembleia. Flávio Bolsonaro, nas suas atividades parlamentares, não tinha como função fiscalizar e orientar a forma como a servidora usufruía do seu salário. No tempo em que foi deputado estadual, nunca recebeu informação ou denúncia de que havia qualquer irregularidade no seu gabinete ou em relação ao pagamento dos colaboradores. Portanto, não passa de insinuação e fantasia a ideia de que o parlamentar participou de qualquer atividade irregular. Esse é apenas mais um ingrediente na narrativa que tentam armar contra a família Bolsonaro. Flávio Bolsonaro confia na Justiça e tem a certeza de que a verdade prevalecerá”, dizem os advogados Luciana Pires, Rodrigo Roca e Juliana Bierrenbach, que representam Flávio.

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