Primeiro alegaram omissão, agora batem na ação, e parece que não tem jeito, o que a Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI – circense quer mesmo é achar, a qualquer custo, algum motivo para incriminar o presidente Bolsonaro (sem partido) e sua política na condução da saúde nesta pandemia. Depois do fracasso obtido com as narrativas da cloroquina, do tratamento precoce, da letargia para compra de vacinas, do tal gabinete paralelo que nunca existiu e até da realização da Copa América no Brasil, agora é a vez da CPI investigar a compra de vacinas. Vale tudo para colar no presidente a pecha de corrupto, já que a de “genocida” está cada vez mais difícil, especialmente quando se é o terceiro país que mais vacina no mundo ou quando se tem uma Argentina para apagar do mapa, porque atrapalha a narrativa.

Com a credibilidade cada vez mais ameaçada pela opinião pública, especialmente por blindar a investigação de atos de corrupção praticados nos estados e municípios, e com base na denúncia do dos irmãos Miranda, a CPI da Covid quer agora ouvir Luiz Paulo Dominguetti, o suposto representante da Davati Medical Supply no Brasil, que, segundo o Jornal Folha de São Paulo, acusa o ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, de ter cobrado propina em negociação para compra da vacina Astrazeneca pelo governo federal. O problema é que o próprio laboratório já se manifestou oficialmente dizendo que não há intermediários no Brasil para negociar contratos para a compra do imunizante, o que de novo derruba a narrativa para a frustrar os opositores do governo e militantes de esquerda disfarçados de jornalistas.

Na ânsia de encontrar motivos que possam ofuscar a imagem política do presidente, a grande mídia passa a acreditar na denúncia de um impostor, dando voz a um picareta que se diz representante de uma empresa de fachada e que atua em nome do laboratório Astrazeneca. E dessa forma teria se apresentado ao funcionário do governo que teria então pedido propina, no valor de um dólar por cada dose da vacina. O problema é que o funcionário suspeito de cobrar a tal propina, e por isso foi afastado por determinação do executivo para facilitar os trabalhos da investigação, é funcionário da saúde indicado por Luiz Henrique Mandetta, o ex-ministro da saúde defensor do “fica em casa até sentir falta de ar”, orientação que dava aos pacientes contaminados e com sintomas da Covid.

Essa história se complica quando reaparece o nome do Deputado Ricardo Barros (Progressistas), líder do governo na Câmara, já envolvido na outra denúncia que aponta para irregularidades no contrato firmado pelo governo para a compra do imunizante da Covaxin. Sem a materialidade que confirma o ato de corrupção, baseada em acusações levianas de impostores, que acusam crimes praticados na compra de vacinas que nunca aconteceram, fica cada vez mais difícil dizer que estamos diante do maior escândalo de corrupção do governo Bolsonaro.

Só nos resta esperar para ouvir o que Barros tem a dizer na CPI, a mesma que não quer investigar o caminho do dinheiro que deveria ser usado no enfrentamento da pandemia. E assim como Mandetta, Barros precisa dar boas explicações, afinal, sabemos que neste casamento entre Bolsonaro e o Centrão, em prol da governabilidade, a noiva nem sempre é tão bonita, muitas vezes precisa se esconder atrás do véu para não mostrar a cara da corrupção. ***

Zac Lucatelli – Jornalista e Mestre em Ciência Política

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