O esgotamento profissional e a pressão emocional dos trabalhadores que se deparam diariamente com a dicotomia entre a vida e a morte, no cenário de pandemia, justifica a proposição que institui o Dia Nacional dos Heróis da Saúde, de autoria do deputado federal Aroldo Martins (REP).

No grupo dos herois da saúde homenageados, conforme PL 1240/2020, incluem-se médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, farmacêuticos, atendentes, encarregados de limpeza e demais colaboradores dos hospitais e centros de atendimento, assim como psicólogos, biomédicos, cientistas e pesquisadores, assistentes sociais e técnicos em análises clínicas.

“Ficar em casa é um privilégio, mas não daqueles da área da saúde, que estão na linha de frente dessa batalha. Muitos deixaram suas famílias e agora estão residindo nos hospitais. Deixaram o conforto de seus lares e a companhia de seus familiares, em prol da coletividade, se expondo ao perigo do contágio. A rotina é árdua, ainda mais no Brasil, onde infelizmente o sistema de saúde é precário e faltam paramentações básicas”, afirma o deputado na justificativa do PL.

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Para ele, a precariedade física, estrutural e de logística do sistema de saúde ficou evidente após a pandemia causada pelo novocoronavirus, assim como as variáveis que afetam os profissionais. O PL institui a data de 19 de março para o Dia Nacional dos Heróis da Saúde.

A pesquisa Condições de Trabalho dos Profissionais de Saúde no Contexto da Covid-19, realizada pela Fiocruz em todo Brasil, endossa a narrativa do parlamentar e revela ainda que quase 50% admitiram excesso de trabalho ao longo da atual crise mundial de saúde,

O levantamento inclui ainda as consequências do atual processo de trabalho envolvendo aspectos físicos, emocionais e psíquicos da categoria de profissionais.

“Após um ano de caos sanitário, a pesquisa retrata a realidade daqueles profissionais que atuam na linha de frente, marcados pela dor, sofrimento e tristeza, com fortes sinais de esgotamento físico e mental. Trabalham em ambientes de forma extenuante, sobrecarregados para compensar o elevado absenteísmo. O medo da contaminação e da morte iminente acompanham seu dia a dia, em gestões marcadas pelo risco de confisco da cidadania do trabalhador (perdas dos direitos trabalhistas, terceirizações, desemprego, perda de renda, salários baixos, gastos extras com compras de EPIs, transporte alternativo e alimentação)”, detalhou a coordenadora do estudo, Maria Helena Machado.

Os dados indicam que 43,2% dos profissionais de saúde não se sentem protegidos no trabalho de enfrentamento da Covid-19, e o principal motivo, para 23% deles, está relacionado à falta, à escassez e à inadequação do uso de EPIs (64% revelaram a necessidade de improvisar equipamentos). Os participantes da pesquisa também relataram o medo generalizado de se contaminar no trabalho (18%), a ausência de estrutura adequada para realização da atividade (15%), além de fluxos de internação ineficientes (12,3%). O despreparo técnico dos profissionais para atuar na pandemia foi citado por 11,8%, enquanto 10,4% denunciaram a insensibilidade de gestores para suas necessidades profissionais.

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