Trecho da reportagem de Ana Viriato e Patrik Camporez, que deu capa ao líder do governo na Câmara Federal:

Ricardo Barros é o típico profissional da política. Capa-preta do Centrão na Câmara, o líder do governo gosta de se apresentar como “político de resultados”. “Eu faço acontecer e cumpro o que prometo”, alardeia. Devido à capacidade de trocar rapidamente de casaca para se adaptar ao figurino do presidente de turno, o parlamentar conseguiu a proeza de ocupar postos estratégicos nos últimos cinco governos.
Em 2016, quando Barros foi alçado pelo então presidente, Michel Temer, ao comando do Ministério da Saúde, o ínclito Paulo Maluf quis fazer troça, mas acabou descrevendo o colega de partido talvez com mais propriedade do que ele próprio: “Barros não é médico, mas é alguém que entende de operações”. O perigo é o de que os efeitos colaterais dessas intervenções nem sempre cirúrgicas possam complicar a vida dos que topam se associar a alguém do naipe de Barros.

É exatamente o que ocorre agora. Ao mover mundos e – ao que tudo indica -fundos para que a vacina indiana Covaxin fosse adquirida pelo Ministério da Saúde, Barros virou um problemão para Jair Bolsonaro. Primeiro porque rifar o líder do governo na Câmara significa arrumar briga não só com ele, mas com o Centrão, bloco de partidos fisiológicos que hoje dão sustentação ao Palácio do Planalto no Congresso. Depois, porque o deputado sabe demais e pode, se perceber que será abandonado à própria sorte, implodir o que resta da administração Bolsonaro.

Hoje, o governo se esgueira como se andasse sobre um campo minado. O escândalo do mensalão do PT ensinou que não convém deixar quem sabe demais ao relento. Mas blindar Barros indefinidamente significa manter a bomba na antessala do gabinete presidencial.

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