Depois de abrir conversas com ao menos cinco partidos, entre os quais o PSL, e de estipular prazo até março para definir seu futuro partidário, o presidente Jair Bolsonaro segue sem uma agremiação para chamar de sua.

A filiação a uma legenda é necessária para que o presidente esteja apto a disputar a reeleição em 2022 — de acordo com as regras da Justiça Eleitoral, o prazo máximo é até seis meses antes do pleito.

Ao perceber que não conseguiria dar celeridade à criação do Aliança, Bolsonaro passou a trabalhar com um plano B: conseguir uma espécie de “partido de aluguel” para concorrer à reeleição. Desde então, começou a dialogar com lideranças de legendas de menor expressão e com aliados que são “caciques” em suas respectivas agremiações.

No entanto, o presidente do partido, deputado federal Luciano Bivar (PE), não está tão disposto a entregar o comando nos termos exigidos por Bolsonaro. Até parlamentares bolsonaristas do PSL afirmam estar difícil chegar a um consenso.

Já um deputado “bivarista”, ou seja, membro do grupo leal a Bivar, afirma que há forte resistência interna em relação à reaproximação com o presidente. Segundo ele, Bolsonaro atacou demais o partido ao sair da sigla e hoje há “uma grande fatia do PSL que mudou a partir das eleições de 2020”. “O PSL quer ser um partido com identidade”, disse.

Outro deputado do PSL ouvido pela reportagem disse acreditar que os interesses que cercam a possibilidade do retorno de Bolsonaro têm a ver com o acesso ao tempo de TV destinado a candidatos nas eleições de 2022 e aos recursos do fundo eleitoral. Em sua avaliação, Bolsonaro precisa desses dois itens mais do que nunca agora que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva indica estar de volta ao xadrez eleitoral.

Parte do PSL ainda avalia se realmente é um bom negócio associar sua imagem à de Bolsonaro por considerar que o presidente não carrega bons ativos. Dizem faltar a Bolsonaro, por exemplo, índices positivos constantes na economia e ações no enfrentamento da covid. Os integrantes do partido citam ainda o não cumprimento de promessas de combate à corrupção.

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